terça-feira, dezembro 31

Mesmo parecendo um tanto deslocado, eu achei compreensível quando aquele clip do Belle & Sebastian, tocando no Free Jazz, começou a freqüentar os intervalos na programação do Sony. Afinal, de uns tempos para cá, os escoceses ganharam o epíteto de "banda fofa" e sei lá mais o quê. Mas agora o povo do canal pegou pesado. Entre um episódio e outro de "My Wife & Kids" e "Everybody Loves Raymond", é possível ver um clip do Lambchop (!!), algo que não acontece nem no Lado B. Assim vão acabar assustando a audiência, habituada a nulidades tipo Avril Lavigne e Aerosmith.
Ok, uma notinha no estilo consagrado pelo Ancelmo Góis:

Cena carioca
Domingo, início de madrugada. Uma viatura da Polícia Militar estaciona em frente a um hotel bastante popular entre as raparigas que circulam pela noite de Copacabana. Um policial fardado salta do veículo e, devidamente acompanhado de uma animada camundonga, adentra o estabelecimento. Enquanto isso, a população que se vire com a bandidagem à solta nas ruas.
Na minha terra, isso se chama... deixa para lá.

quinta-feira, dezembro 26

Preciso reparar uma injustiça cometida dois posts atrás. Finalmente dediquei à coletânea do Lush uma audição mais atenta. Bastante representativa da trajetória da banda, ela cobre do início shoegazer ao pop-rock praticado no final, só que em ordem inversa. Altamente recomendável.
No último dia 18, foi ao ar na BBC uma Peel Session especial de Natal com a participação do Belle and Sebastian. Se você tiver saco pra baixar um arquivo zipado de quase 70 MB, basta clicar aqui. A princípio, disponível só até 1º de Janeiro.

Tracklisting:
1. O Come, All Ye Faithful
2. Christmas Time Is Here (Vince Guaraldi cover)
3. Santa Claus (Sonics cover)
4. Step Into My Office, Baby
5. Jonathan David
6. Santa Claus Goes Straight to the Ghetto (James Brown cover)
7. Photo Jenny
8. Silent Night
9. O Little Town of Bethlehem
10. Santa, Bring My Baby Back to Me (Elvis Presley cover)
11. If You Find Yourself Caught In Love
12. The Boy With the Arab Strap
13. O Come, O Come, Emmanuel
14. Get Me Away from Here, I'm Dying
15. I Took Some Time for Christmas
16. The Twelve Days of Christmas
Um teste para a paciência. É assim que qualquer pessoa normal encara o desafio de caminhar pelas abarrotadas calçadas da Avenida Copacabana. E embora eu não seja o exemplo mais bem acabado de sanidade mental, comungo desse ponto de vista. Aquilo é uma selva a ser desbravada. Justamente por isso, é muito sentida a ausência daquele traquejado guia local – figurinha fácil nos filmes de Tarzan do Johnny Weissmuller - que abre caminho a golpes de facão: “A aldeia fica nessa direção, Bwana!”. O enxame de camelôs, munidos com traquitanas eletrônicas recém-chegadas da China (ingratidão com o querido Paraguai), exige de mim um jogo de pernas superior ao do onipresente Robinho (seguuura que eu quero ver!). Mas sempre há o risco de sair catando cavaco após colidir com aquele estande de CDs falsificados que bloqueia o passeio – o pior é que eu nem gosto dos Tribalistas. Cortesia, claro, desse simpático mascate pós-moderno, o camelô. Bem feito também, quem mandou não andar no meio dos carros? E é melhor eu nem qualificar aquelas criaturas que param para tagarelar no meio da calçada, ocupando-a como se estivessem na sala de estar de seus sacrossantos lares.
Dentre a fauna que movimenta esse trecho da conspurcada Princesinha do Mar, destaque para os inúmeros pedintes, cuja específica função social é me deixar com sentimento de culpa por ter gasto 15 reais num CD usado. Mas notei que falta à Av. Copacabana uma daquelas figuras folclóricas que marcam época (saudades do Éter). Que tal pedir emprestado o maluco da Barata Ribeiro? Seu terno ensebado e os altos papos que leva com o rádio pifado causariam sensação. E como eu poderia me esquecer daquele povo que distribui panfletos nas esquinas? Tem gente que os ignora solenemente, mas eu ainda não cheguei a esse estágio de sofisticação. Minha tática é evitar o contato visual a todo custo. Quando ela fracassa, só me resta aceitar a derrota e, com resignação, apanhar o bendito panfleto. Panfletos que, aliás, são sempre os mesmos. A começar pelo tradicional “Compro ouro e jóias”. Infelizmente eu não possuo nenhum dos dois, mas ando pensando em livrar-me de uns CDs que só pegam poeira na estante. Tem negócio? Outro panfleto campeão de audiência é o da Mãe Zulmira. Entre outras coisas, diz ela que “trás (sic) o seu amor de volta em poucos dias”. Pode ser um amor platônico? Seria a chance de buscar um final diferente... Bah! A quem estou querendo enganar? Eu acabaria afundando nos mesmos receios. Olha, vamos fazer o seguinte: que tal trazer de volta o meu amor próprio? O problema é que ele sumiu faz tempo, acho que nem bola de cristal dá jeito. Recentemente fui apresentado a um novo e surpreendente anunciante. Enquanto eu meditava sobre a morte da bezerra, um fulano, surgido do nada, introduziu (epa!) um panfleto em minha mão e comentou algo sobre uma lourinha. Ao lê-lo, fui informado de que gatas incríveis estavam a postos para me proporcionar momentos de imenso prazer. Bastava telefonar para a Alessandra no número em destaque. Claro que eu já ouvira falar nessa nova e revolucionária estratégia de divulgação, mas mesmo assim... Em plena luz do dia? A que ponto chegou o nosso despudor. Entretanto, eu deveria saber que esta é a terra onde tudo é permitido. Foi-se o tempo em que esse tipo de serviço era oferecido somente nas páginas de classificados sob o eufemismo de “massagem”.
Mas se, durante suas andanças, o que você mais quer é abstrair-se do ambiente que lhe cerca, sugiro um jogo de minha lavra. É bastante simples. Basta ficar atento à pessoa que caminha a sua frente. Quando ela apanhar um panfleto, aposte mentalmente se ela irá ou não atirá-lo ao chão. Eu garanto, você se divertirá como nunca antes em sua vida. Mas atenção, este é um jogo que exige muita agilidade na avaliação do caráter alheio. Por isso, não é aconselhado aos diletantes.

domingo, dezembro 22

Tô pensando num jeito de iniciar este post mas tá difícil, a preguiça mental é enorme. Ah, no final das contas isso não tem muita importância, só quero comentar rapidamente os CDs que eu comprei nas últimas semanas.
Stephen Malkmus/Stephen Malkmus - Escutei muito pouco, não consigo avaliar direito. Mas parece um Terror Twilight menos inspirado.
Delgados/Peloton - Tô ficando velho, prefiro os momentos folk àqueles repletos de guitarras distorcidas. E Pull the wires from the wall continua uma baita música legal.
Lush/Best of - Outro que eu ainda preciso ouvir direito, limitei-me às canções mais conhecidas. Mas adorei o dueto entre o Jarvis Cocker e a Miki Berenyi em Ciao!, a letra é divertidíssima.
Belle & Sebastian/Storytelling - Tem duas faixas instrumentais muito boas, Fiction e Fuck this shit, o resto vai do razoável ao fraco. No álbum anterior a Sarah Martin compôs a ótima Waiting for the moon to rise, mas dessa vez ela errou a mão. Sua música-título é decepcionante, melodia esquecível e letra pra lá de boba. Ainda vão sentir falta da Isobel.
Mojave 3/Excuses for travellers - Disparado o melhor disco, botei pra tocar direto. Quando um estribilho ao piano foi seguido pelos lamentos do pedal steel, inaugurando a primeira faixa, eu já estava fisgado. Disse e repito: tô ficando velho, só folk e alt-country me animam.

sexta-feira, dezembro 20

Continuando... É verdade que sou fanático por 'Casablanca' - já dei pistas nesse sentido - mas os desencontros amorosos de Rick e Ilsa têm outro tipo de clima, não acho que combine com o Natal. 'Cinema Paradiso', por sua vez, cai bem. Aumenta a sensação de melancolia que a data costuma despertar (o tema de amor composto pelo filho do Ennio Morricone também tem culpa no cartório). Tenho curiosidade em assistir a versão integral do filme, sempre quis saber o que aconteceu com a Elena. Para rebater a tristeza, é só assistir 'Cantando na chuva' em seguida. 'O mágico de Oz' também é legal, a Globo costuma passar de madrugada. Acho que a lista tá de bom tamanho.
Assisti, outro dia, um documentário sobre o Sergio Leone no People + Arts. Foi dado bastante destaque a 'Era uma vez no Oeste' e trechos de algumas das minhas cenas favoritas foram exibidos: a famosa sequência de abertura, onde Leone abusa do habitual estilo grandiloqüente; a chegada de Claudia Cardinale na estação de trem, com a câmera erguendo-se para mostrar a cidade que nasce logo adiante; a família de fazendeiros sendo chacinada por Henry Fonda, cujo personagem, Frank, é mau como um pica-pau; o duelo final entre o "homem da harmônica" e Frank em que, paralelamente, um flashback revela a origem da rixa. Filmaço.

domingo, dezembro 15

Sabe que eu sinto uma certa culpa quando passo muitos dias sem escrever por aqui? Pois é, acontece. Mesmo sabendo que não tenho nenhuma obrigação nesse sentido. Esquisitices de um tipo meio neurótico.
Ontem descobri um fato inusitado, ainda estou boquiaberto. Nunca imaginei que pudesse existir uma cidade com o originalíssimo nome de Varre-Sai. É verdade, fica no estado do Rio. Estou dando tratos à bola para adivinhar como são chamados os naturais da pitoresca (pelo menos no nome) Varre-Sai. Até agora, meu melhor palpite é poeira.
Declinei do chamado para o tradicional e inevitável Natal em família, vou ficar jogado às traças por aqui mesmo. Eu sempre viajo na expectativa de viver algo especial, quase esperando uma revelação que dará sentido à vida (não liguem, sou meio pancada das idéias). Mas no final é sempre a mesma história, uma chatice inominável e eu andando pelos cantos, completamente entediado. Este ano, tô fora. Por isso, comecei a pensar em alguns filmes apropriados para ver nesta época. 'A felicidade não se compra' aparece logo de cara, já virou obsessão. Não importa quantas vezes eu assista, sempre escorre uma lágrima furtiva durante o final catártico: todos os habitantes de Bedford Falls que foram ajudados por George Bailey no passado, aparecem para doar suas economias e salvá-lo da falência e prisão. Do nada, surge a velha edição de Tom Sawyer, pertencente a Clarence, com a dedicatória "Nenhum homem é um fracasso quando tem amigos"; o toque de um sino confirma que ele finalmente ganhou suas asas, enquanto todos entoam Auld Lang Syne. Pena que, ao contrário de outros anos, o Telecine não vai exibir 'De ilusão também se vive'. Natalie Wood, ainda nos tempos de atriz mirim, está adorável como a garotinha racional que não acredita em Papai Noel. Depois eu continuo a lista.

quarta-feira, dezembro 11

Já passou da hora de reciclar mais um daqueles textos empoeirados e cheios de mofo. Além do tema ser adequado a esta época do ano, a motivação para escrever algo novo é nenhuma.



Cuidado! O final de ano se aproxima e ao seu lado pode estar algum infeliz querendo propor a realização de um amigo oculto. Os chatos de plantão acham divertidíssimo, mas os indivíduos dotados de bom senso reconhecem que essa prática, aparentemente inofensiva, pode motivar traumas irreversíveis.
Minha triste experiência com tão peculiar modo de trocar presentes iniciou-se ainda nos tempos de primário. Mal a folhinha de Novembro era arrancada, a “tia” realizava o sorteio dos papeluchos contendo os nomes e distribuía a indefectível circular solicitando que os alunos levassem um pratinho de doces ou salgados para a festa de conclusão do ano letivo. Eu ficava doente só de pensar em participar (sempre fui neurótico), mas o boletim só seria entregue durante o evento, portanto não tinha escapatória. Chegado o Dia D, a tortura era sempre a mesma:
a) as professoras selecionavam os melhores acepipes para sua festinha particular, nos deixando com a gororoba;
b) a humilhação suprema, ficar no centro de um círculo humano dando pistas sobre quem era o meu amigo oculto;
c) sempre dar bons presentes (geralmente jogos de tabuleiro) e ganhar as maiores porcarias (um quebra-cabeça foi a exceção que confirmou a regra). Tinha gente que perdia as estribeiras e soltava os bichos para cima do colega avarento, pelo menos eu conseguia manter o sorriso amarelo (que consolo).
Um desses festejos foi memorável, até hoje tenho uma cristalina lembrança. Me atrapalhei com o horário e acabei chegando bastante atrasado à escola. O garoto que eu tinha tirado já estava aos prantos, inconsolável pelo fato de seu amigo oculto ter faltado. Após os devidos esclarecimentos, ele recebeu o presente a que tinha direito e repassou o que estava originalmente destinado a mim (de uma menina que havia me tirado). Foi aí que compreendi o desespero do moleque... também tive vontade de chorar ao ver que estava sendo mimoseado com uma caixa contendo três pares de meias (daquelas bem ordinárias). Só não sucumbi às lágrimas porque já tinha o casco endurecido por decepções anteriores. Pois é, ainda estão para inventar algo que crie mais inimizades do que o tal de amigo oculto.

domingo, dezembro 8

Não chega a ser insônia mas estou sem vontade de ir dormir. Aliás, estou sem vontade de fazer qualquer coisa. Acordei meio apático hoje (só hoje?). Há pouco pensei em assistir um filme qualquer do John Ford ou mesmo 'Os brutos também amam' (esse é do George Stevens), serviria como distração. Mas quando o filme terminar já vai estar quase amanhecendo, melhor esquecer a idéia. Tive, então, a súbita inspiração de ficar escrevendo por aqui até o sono chegar. Meu blog não tem nenhum compromisso com a qualidade mesmo. Portanto, se você ainda está lendo esta bobajada sem nexo, trate de arrumar coisa melhor pra fazer. De tarde, enquanto eu aguardava o horário de pulso único pra entrar na internet, botei o Abbey Road pra tocar. Fiquei com esse refrão na cabeça: I'd like to be under the sea in an octopus' garden in the shade. Sei lá, existe um certo charme bizarro no jeito desajeitado com que o Ringo canta. Tem gente que odeia, mas eu até que gosto dessas musiquinhas country cujos vocais sobraram pra ele. Também tem aquela no Rubber Soul, como é que chama? Lembrei! What goes on! Essa é muito boa, os acordes de guitarra são incrivelmente mal tocados. Só pode ter sido proposital. Também tem uma no White Album, mas o nome dessa não vou lembrar nem a pau. Não esquecendo que o Ringo também foi o responsável pelos vocais em Yellow submarine (argh!) e With a little help from my friends. Em You never give me your money também foi ele? Ou foi o Paul McCartney fazendo uma imitação? Acho que li algo a respeito uma vez... ou então estou maluco, o que é mais provável. Tô começando a ficar com sono. Tchau.

sexta-feira, dezembro 6

Ontem perdi um naco de pele da palma da mão direita ao usá-la como apoio após perder o equilíbrio. Depois da enrolação habitual, dei o braço a torcer e resolvi tratar a ferida com Merthiolate - coisa que eu não fazia desde os tempos de criança estabanada. Logo comecei a alimentar uma certa expectativa pelo momento em que meu machucado queimaria como fogo. Afinal, reviver tal sensação poderia desencadear uma sequência de lembranças e me levar a escrever um marco da literatura existencialista. Nostálgico, lembrei-me dos joelhos esfolados tratados com Merthiolate vermelho, aquele que deixava o ferimento com uma aparência ainda mais dantesca. Para o experimento ficar completo só faltei pedir para alguém assoprar minha mão após a aplicação da tintura. Mas quando o tão aguardado momento se concretiza, vem a frustração: esse Merthiolate com nova fórmula é um lixo, não faz nem cócega. Não arde mas também não cura, continuo com esse buraco purulento na mão. O jeito é procurar um remédio que não tenha se rendido à frescura generalizada dos dias atuais.

quinta-feira, dezembro 5

Taí, escolhida pelos leitores da Q, a lista com os 100 melhores discos de todos os tempos. Diante de tamanho descalabro, resta o consolo de saber que a massa consumidora de música na ilha não difere muito da nossa, ambas têm um mau gosto desgraçado. Nirvana em primeiro?! Gimme a break!

100. Flaming lips – Soft bulletin
99. Beach Boys - Pet sounds
98. AC/DC – Back in black
97. Aretha Franklin – Never loved a man…
96. Ash – Free all angels
95. Portishead – Dummy
94. Outkast – Stankonia
93. Beck – Odelay
92. Air - Moon safari
91. Sly & the Family Stone - There’s a riot going on
90. Soundgarden – Superunknown
89. Ryan Adams – Gold
88. James Brown – Live at the Apollo
87. The Doors – The Doors
86. Foo Fighters – The colour and the shape
85. Wu Tang Clan – Enter the Wu Tang
84. Lou Reed – Transformer
83. Metallica – Metallica
82. DJ Shadow – Endtroducing
81. Elvis Presley – Elvis Presley
80. Stereophonics – Word gets around
79. Depeche Mode – Violator
78. Linkin Park – Hybrid theory
77. TLC – Crazysexycool
76. Spiritualised – Ladies and gentlemen…
75. Badly Drawn Boy – Hour of bewilderbeast
74. Ramones – Ramones
73. Michael Jackson – Thriller
72. Prodigy – Fat of the land
71. Bob Marley & the Wailers – Exodus
70. The Vines – Highly evolved
69. Alicia keys – Songs in A minor
68. The Who – Who’s next
67. Chemical Bros – Dig your own hole
66. Neil Young – Rust never sleeps
65. Specials – Specials
64. Rolling Stones - Let it bleed
63. Red Hot Chilli Peppers – By the way
62. Bruce Springsteen – Born to run
61. Jimi Hendrix – Electric ladyland
60. Joy Division – Closer
59. NWA – Straight outa compton
58. Blur – Parklife
57. Moby – Play
56. Massive Attack – Blue lines
55. David Bowie – Hunky Dory
54. Velvet Underground & Nico - Velvet Underground & Nico
53. Alanis Morissette – Jagged little pill
52. The Stooges – Raw power
51. Kate Bush – Hounds of love
50. Manic Street Preachers – Everything must go
49. Pink Floyd - The wall
48. Fleetwood Mac - Rumours
47. Coldplay - A rush of blood to the head
46. Eminem - Slim Shady LP
45. The Beatles - The white album
44. Rage Against The Machine - RATM
43. Beastie Boys - Ill Communication
42. Pearl Jam - 10
41. Led Zeppelin - Physical graffiti
40. Bob Dylan - Blood on the tracks
39. The Verve - Urban hymns
38. PJ Harvey - Stories from the city, stories from the sea
37. Prince - Sign o the times
36. Marvin Gaye - What's going on
35. Radiohead - Kid A
34. Pixies - Doolittle
33. Public Enemy - Fear of a black planet
32. Smashing Pumpkins - Mellon collie and the infinite sadness
31. David Bowie - Ziggy Stardust
30. REM - Automatic for the people
29. Primal Scream - Screamadelica
28. Led Zeppelin - 4
27. White Stripes - White blood cells
26. Rolling Stones - Exile on Main Street
25. Coldplay - Parachutes
24. Jeff Buckley - Grace
23. Dr Dre - The chronic
22. Oasis - Morning glory
21. Pink Floyd - Dark side of the Moon
20. Lauryn Hill - Misseducation of Lauryn Hill
19. Guns n Roses - Appetite For Destruction
18. Manic Street Preachers - The Holy Bible
17. Madonna - Ray of light
16. U2 - Joshua tree
15. Beatles - Sgt Pepper's
14. The Clash - London calling
13. The Smiths - The queen is dead
12. Red Hot Chilli Peppers - Californication
11. Nirvana - In utero
10. U2 - Achtung baby
9. The Strokes - Is this it?
8. Oasis - Definetly maybe
7. The Stone Roses - The Stone Roses
6. Sex Pistols - Never mind the bollocks
5. Eminem - The Marshall Mathers LP
4. Radiohead - The bends
3. The Beatles - Revolver
2. Radiohead - Ok computer
1. Nirvana - Nevermind

segunda-feira, dezembro 2

Putz! Ontem foi o dia mais quente dos últimos cinco anos, a máxima alcançou 42,4 graus. Agora entendi o porquê de tanta dificuldade em arrastar minha carcaça enferrujada pelos cantos. Por isso, o blog deve permanecer abandonado por mais um bom tempo. É impossível raciocinar com uma temperatura tão alta, fico completamente letárgico. Argh, como faz calor nesta terra esquecida por Deus...

sexta-feira, novembro 29

Eu só queria que a vida imitasse os filmes de ficção científica. Toda vez que esta detestavel época do ano (também conhecida como verão) desse as caras, eu simplesmente entraria na minha cápsula e permaneceria em estado de animação suspensa até a temperatura ficar abaixo dos 25 graus.
Já entrei naquela fase de não ter mais nada para dizer, o jeito é apelar para o Momento Google:
- picada de marimbondo
- morrissey and chloe the turkey (que agilidade)
- terra patric nude
- patric bora bora wedding
- joaquim salvador lavado
- tatu praticamente nude
- macumba para atrair o ex-namorado
- salário atriz pornô

sábado, novembro 23

O fim do mundo deve estar próximo, nunca pensei que algum dia iria ler uma notícia dessas:

Pamela Anderson's no-turkey Thanksgiving dinner
(Los Angeles-AP) - Pamela Anderson's doing Thanksgiving early. She's hosting a dinner tonight where a turkey will be a diner, not dinner. Yeah, a live turkey will be there. Anderson doesn't eat meat so she's having an all-veggie meal. The dinner's at a home in the Hollywood Hills. Along with the turkey, some of the guests include Charlotte Ross from "N-Y-P-D Blue," John Salley of Fox's "Best Damned Sports Show Period," James Marsden of "X-Men" and British rocker Morrissey.


Some girls are bigger than others

Abaixo, o flagrante de um instante de confraternização entre Morrissey e Chloe, o convidado de honra do jantar.


Oh, you handsome devil

quarta-feira, novembro 20

Eu devo ser muito burro. Sabe aquelas animações, feitas a partir das charges do Chico Caruso, que o Jornal Nacional exibe todo santo dia? Então, não entendo porra nenhuma.
Os 100 melhores discos dos anos 80.

domingo, novembro 17

Moors murderer Hindley dies

Myra Hindley e seu amante, Ian Brady, chocaram a Inglaterra nos anos 60 ao raptar e assassinar, de forma brutal, quatro crianças nos arredores de Manchester. O caso inspirou a música Suffer Little Children que está no primeiro álbum dos Smiths. E uma declaração dada por Myra foi citada na letra de Still Ill: "Society owes me a living" transformou-se em England is mine - it owes me a living.

sábado, novembro 16

Um fato vem me intrigando desde que tirei o título de eleitor num longínquo passado. O caso é o seguinte: a seção onde eu voto localiza-se na escola que freqüentei do Jardim de infância ao C.A. Seria apenas uma grande coincidência ou a escolha é determinada justamente por esse tipo de vínculo? Adentrar suas dependências me desperta uma sensação de irrealidade. Parece que voltei no tempo. Exceção à parte dos fundos, que sofreu grandes alterações, o restante continua igual. Quando olho para o pátio as recordações surgem de forma inevitável. É o mesmo pátio sobre o qual rolei ao brigar com um menino mais velho (onde é que eu estava com a cabeça? E o que aquele brucutu estava fazendo no meio dos pirralhos?). O motivo da peleja me escapa, mas certamente foi algo muito grave (ahem). Mas lembro de ser premiado com um dente bambo, graças a um sopapo no meio da fuça, e de receber socorro médico da professora, tendo minha namoradinha ao lado. No intervalo entre as duas ações, provavelmente estava nocauteado. O episódio ao menos serviu para colocar um ponto final na minha carreira de valentão antes mesmo dela começar.
O lugar também foi palco de um dos momentos mais tragicômicos da minha infância. Após o encerramento das aulas sempre brincávamos nas redondezas do portão, aguardando que nossos pais viessem nos buscar. Certo dia, notei que o número de alunos retardatários diminuíra consideravelmente e comecei a me preocupar. Os minutos passaram e ficamos reduzidos a apenas dois. O jeito era buscar a solidariedade do meu companheiro de infortúnio. Porém, ele revelou-se um traíra e partiu, todo pimpão, de mãos dadas com sua mãe que acabara de chegar. A partir daquele momento eu estava sozinho. Rosto espremido entre as grades do portão, esperei, esperei e esperei (pois é, uma cena patética). A noite começou a cair, o horário de funcionamento da escola já se esgotara há muito. Os funcionários não sabiam o que fazer; ligaram para minha casa mas ninguém atendia. Demonstrando minha precoce tendência ao catastrofismo, deduzi o óbvio: meus pais tinham fugido da cidade às pressas e me deixaram para trás. Meu destino era o orfanato. Conformado, sequei as lágrimas e passei a especular sobre as chances de alguém vir a me adotar num futuro próximo. Concluí que eram bastante remotas. Ora, se nem os meus pais biológicos me queriam... Quando eu já me sentia mais rejeitado do que aquela primeira fatia que vem no saco de pão de fôrma, eis que surge no horizonte minha estimada genitora. Esbaforida, deu suas razões para o colossal atraso: estava na casa de uma amiga e ficou tão entretida com a conversa que nem lembrou-se de me buscar na escola. Apesar do motivo pouco lisonjeiro, terminei por compreender seu esquecimento. Afinal, eu nunca fui dotado de grande magnetismo pessoal.
Fico imaginando se na hora do recreio a cantina ainda vende aquelas garrafas de Crush e Grapette com o design clássico. Duvido muito. Things change... infelizmente.

terça-feira, novembro 12

Aos pouquinhos eu vou conseguindo preencher as lacunas na minha coleção de cd's. No momento atual sou o feliz proprietário de "Dog man star" e "Coming up" do Suede.

segunda-feira, novembro 11

Constatação surgida após fazer uma boquinha na madrugada: Este blog está igual o vidro de requeijão que eu peguei na geladeira... com a data de validade vencida. Só não sei dizer se é tão amargo quanto.

Colin Mochrie é gênio


Ufa! Já estava entrando em pânico. Semana passada aconteceu a estréia da nova temporada no Sony e não vi nem sinal do Whose Line is it Anyway?, disparado o programa mais engraçado da televisão. Felizmente foi alarme falso. Agora ele está sendo exibido nos sábados à tarde, com reprise de madrugada.

sexta-feira, novembro 8

A despeito da catástrofe iminente, há que se manter o bom humor. Crônica do Tutty Vasques:

Já fui botafoguense, eu sei!
A mega-economista Elena Landau é a principal suspeita de ter atirado bonecas em campo durante um treino do Botafogo. A polícia carioca desconfia também de outro torcedor roxo do clube, o documentarista João Moreira Salles, mas aí já é questão de hábito.
O caso, evidentemente, não é de polícia. Merece, isso sim, um singelo registro na crônica esportiva pela peculiaridade avinegra do protesto: como sempre acontece quando o time vai muito mal, a torcida do Botafogo voltou a dar show nas arquibancadas. A chuva de bonecas – foram mais de 50 – que caiu sobre o treino em Caio Martins vai ficar para a história do clube como aquela gloriosa tarde dos anos 80 em que uma muleta decolou da multidão, sobrevoou o alambrado e aterrizou no gramado com o jogo em andamento.
Entre uma manifestação e outra, o Botafogo andou ganhando algumas competições, o que lhe rendeu baixas importantes na torcida. Não é o caso de Elena Landau e João Moreira Salles, mal-acostumados a uma vida vitoriosa, mas muitos alvinegros de carteirinha acostumaram-se às derrotas de tal forma que passaram a delas depender para melhor se expressar nos estádios. Nenhuma outra torcida é tão criativa na adversidade.
A do Flamengo grita “timinho”, a do Fluminense fica de costas para o campo, a do Vasco pede Edmundo, mas só a do Botafogo trabalha com símbolos tão humilhantes na dialética do velho esporte bretão quanto bonecas e pernas-de-pau.
Durante anos fiquei pensando: como será que aquela muleta atirada em campo chegou ao estádio? Teria sido comprada especialmente para a ocasião ou, com a mesma intenção premeditada, roubada da sogra flamenguista? Custo a crer, embora não seja totalmente improvável, que aquilo tenha sido obra de algum botafoguense coxo.
Difícil imaginar, também, que Elena Landau tenha se desfeito da sua coleção de barbies no treino de segunda-feira, 4 de novembro. Quem conhece a economista mais intimamente sabe que ela não dorme sem suas bonecas de estimação.
Isso é que é lindo na torcida botafoguense: as pessoas pagam do próprio bolso para garantir o espetáculo negado dentro de campo. Compram muletas, bonecas, milho, tudo aquilo, enfim, que arremessado ao gramado rouba a cena do mau futebol. Pode parecer patético, mas nem tanto quanto a torcida tricolor cantando “A bênção João de Deus” nos momentos mais dramáticos do Fluminense.
Tenho pensado seriamente em voltar a ser botafoguense. A hora é essa!

segunda-feira, novembro 4

Pode até soar como uma forma de heresia mas eu não acredito que exista vida antes da morte. O Botafogo, entre outros fatores, não me permite crer em tal hipótese.

quarta-feira, outubro 30

Meu atual sonho de consumo: os dois discos lançados pela Laura Cantrell, "Not the tremblin' kind" e "When the roses bloom again". Ah, também não iria me queixar se ela viesse como bônus junto com os cds (essa foi terrível, admito). Tomara que a partir de agora, com as eleições encerradas, o dólar caia para um patamar decente e facilite a minha vida.

How can you tell me how much you miss me?
When the last time I saw you, you wouldn't even kiss me
That rich girl you've been seein'
Must have put you down
So welcome back baby
To the poor side of town


To her you were nothin' but a little plaything
Not much more than an overnight fling
But to me you were the greatest thing I've ever found
It's hard to find good men
On the poor side of town


I don't really blame you
I'm tryin' to make it too
I've got one little hang up darling
Can't make it without you


So tell me now darling, are you gonna stay now?
Will you let me stand by you all the way now?
With me by your side
They can't keep us down
Together we can make it baby
On the poor side of town

segunda-feira, outubro 28

Fui cumprir o meu dever cívico e, no caminho até a seção eleitoral, fiquei bobo com as voltas que o mundo dá. Nas ruas havia uma quantidade enorme de crianças com camisas, broches, bandeiras e adesivos com a estrela vermelha do PT. De comunista devorador de criancinhas, o Lulinha paz e amor virou ídolo infantil.

Para quem ainda tinha dúvidas sobre quem realmente manda neste país. Após o rápido pronunciamento em que prometeu falar com toda a imprensa na coletiva de hoje à tarde, Lula cedeu à pressão global e deu uma entrevista exclusiva durante o Fantástico.

Globo, aliás, que já alterou sua programação em virtude da nova realidade política. Hoje, a atração da Tela Quente será o filme 'A classe operária vai ao paraíso'.

Pelamordedeus, chega de falar em "festa da democracia". Ninguém aguenta mais ouvir esse clichê.

Também votei no Lula, mas seria bom que todo mundo ficasse com os pezinhos no chão. A distância entre a euforia e a depressão é bastante curta.

domingo, outubro 27

Também comprei o cd do Hefner que o Submarino (garanto que eles não vão sentir falta do link) tava liquidando por 8,50. Ainda nem escutei direito, mas se musicalmente o disco não empolga muito (exceção a 'Good fruit'), as boas letras compensam.

We love the city because it lets us down
We love the city NOT the suburbs that surround
We love all the dirty things, that lead us to think
That maybe true love could be found
We love the city because its how we live
We love the city cause it never loves us back
We love it all because sometimes, even though they're hard to find
It contains all the virtues we lack


Inspirado naquela vinheta da MTV (se você já viu, ótimo; se não, azar o seu porque não vou explicar), o tema é: bandas de som semelhante e cujas letras ironizam o modo de vida inglês.

Era Pré-Cambriana: Kinks
Era Paleozóica: ?
Era Mesozóica: Pulp
Era Cenozóica: Hefner

Se alguém conseguir lembrar de um grupo que preencha os requisitos para a Era Paleozóica, é só avisar.
Agora já posso substituir o cd antigo, encontrei no sebo a versão do 'Pet Sounds' que tem todas as músicas em mono e estéreo. Paguei 18 reais por um disco que está custando 80 nas lojas; essas pequenas coisas é que fazem a vida valer a pena. Além de ouvir Beach Boys, claro.

I keep looking for a place to fit
Where I can speak my mind
I've been trying hard to find the people
That I won't leave behind


They say I got brains
But they ain't doing me no good
I wish they could
Each time things start to happen again
I think I got something good goin' for myself
But what goes wrong


Sometimes I feel very sad
Sometimes I feel very sad
(Can't find nothin' I can put my heart and soul into)
Sometimes I feel very sad
(Can't find nothin' I can put my heart and soul into)


I guess I just wasn't made for these times

Every time I get the inspiration
To go change things around
No one wants to help me look for places
Where new things might be found


Where can I turn when my fair weather friends cop out
What's it all about
Each time things start to happen again
I think I got something good goin' for myself
But what goes wrong


Sometimes I feel very sad
Sometimes I feel very sad
(Can't find nothin' I can put my heart and soul into)
Sometimes I feel very sad
(Can't find nothin' I can put my heart and soul into)


I guess I just wasn't made for these times
I guess I just wasn't made for these times...

quinta-feira, outubro 24

Na época da Copa do Mundo, andei externando meus instintos belicosos a respeito dos sopradores de corneta, praga que pela rápida propagação mostrou-se pior do que erva daninha. Não houve contemplação, abracei o radicalismo e exigi pena capital. Agora encontrei um novo alvo para a minha bílis. Há alguns dias meu pensamento tem se voltado para o filme Fahrenheit 451 do François Truffaut. Mais especificamente para a guarnição de bombeiros encarregada de incinerar qualquer obra impressa que for encontrada; o governo totalitário acusa os livros de prejudiciais à felicidade do homem. Penso em utilizar o mesmo princípio, só que as vítimas seriam os aparelhos de karaokê. Recentemente um morador do prédio dos fundos foi o anfitrião de um convescote que reuniu seu círculo de amizades. Após se empaturrar com doces e salgados, beber cerveja em copo de geléia de mocotó e vomitar no carpete, a patuléia resolveu se divertir com o karaokê, certamente trazido do Paraguai por algum amigo sacoleiro. A algaravia resultante poderia ser comparada a de um porco sendo esquartejado enquanto molesta sexualmente um teclado de churrascaria. Cumpra-se a lei: aparelhos de karaokê me deixam infeliz, portanto, lança-chamas neles! Em caso de resistência, nos proprietários também!
O tema "eleições" já encheu o raio do saco, ainda bem que a tortura acaba no domingo. Quando fizerem a tal reforma política, favor acabar com essa aporrinhação chamada segundo turno.
Diálogo flagrado, graças a um microfone oculto, entre o George W. Bush e seu vice, Dick Cheney:
GB: The guy who writes this blog is a major league asshole!
DC: Oh yeah, big time!
Bom mesmo é sentar o malho no próprio blog, o resto é perfumaria. Não quero mais saber de escrever aqueles longos textos de outrora. É trabalhoso demais e ninguém vai ler mesmo. Prefiro exercitar as minhas habilidades na arte da autodepreciação.

terça-feira, outubro 22

Que engraçado... dando uma olhada nos posts mais recentes notei algo que poderia ser qualificado como um vício de linguagem. Estou usando e abusando do pronome "vocês", na presunção de que as tolices que escrevo são acolhidas por uma grande massa de leitores. Acho que é válido o autoquestionamento: Vocês quem, cara-pálida? Pois é, manter um blog em atividade por muito tempo acaba propiciando essa espécie de surto. Por falar nisso, vejam (plural pra quê?) só que notícia importantíssima. No último dia 20, completou-se um ano da minha infeliz aparição no mundo dos blogs através do finado Cerebelo. Cheguei até aqui aos trancos e barrancos, é verdade, mas cheguei. Tal acontecimento exige uma comemoração nababesca. Posso até ouvir ao longe o espocar das rolhas das garrafas de champagne. (Discurso! Discurso!) Bom, já que vocês (epa!) pedem com tanta veemência - digo eu, docemente constrangido. Meus amigos, é com grande alegria no coração que... (pausa para que eu seque as lágrimas que insistem em rolar pela face). Como ia dizendo, antes de ser dominado por tão intensa emoção...

quarta-feira, outubro 16

Ah, quer saber do que mais? A partir de agora vou, ocasionalmente, reciclar alguns posts do blog antigo e publicá-los por aqui. Ando sem muitas idéias mesmo. Já começo com um dos meus prediletos:

Surpreenda seus inimigos figadais ao utilizar o Dicionário de Insultos do
Capitão Haddock, compilado por este seu criado:
Anacoluto, anacoreta, anticristo, antropófago, antropóide, antropopiteco, arlequim, autocrata, autodidata, bandoleiro, baqui-buzuque, barbeiro, beberrão, belzebu, bexiguento, boçal, braquicéfalo, bruto, bugre, cachalote, canalha, canibal, carniceiro, carrasco, caruncho, cataplasma, centopéia, chimpanzé, coleóptero, contrabandista, corsário, covarde, crocodilo, diplococus, dromedário, ectoplasma, embusteiro, emplastro, esquizofrênico, filho do diabo, flibusteiro, herético, hipocampo, hipopótamo, iconoclasta, impostor, infame, inseto, invertebrado, judas, lepidóptero, libertino, macaco, macrocéfalo, mameluco, marinheiro de água doce, mazorqueiro, megalômano, mercenário, miserável, moleirão, nefelibata, nematóide, ornitorrinco, pamonha, papua, paranóico, parasita, paspalhão, patagão, patife, pau-d’água, pedaço de analfabeto, pinguço, pirata de carnaval, piromaníaco, polígrafo, poltrão, quadrúpede, ratazana, raquítico, renegado, rizópodo, sagüi, salteador, saltimbanco, sátrapa, selenita, selvagem, traiçoeiro, traidor, troca-tintas, troglodita, vampiro, vegetariano, velhaco, verme, visigodo, zuavo, zulu.

terça-feira, outubro 15

Agora que iniciou-se o horário eleitoral para o segundo turno, cabe a pergunta um tanto cínica: Em que momento a Globo vai mandar às favas toda essa fachada de imparcialidade que tão bem construiu? Certamente não irá se limitar à mensagem subliminar emitida pelo Jornal Nacional na véspera da eleição - José Serra, o patriarca, acariciando a barriga da filha grávida; Lula, o rústico, procurando desesperado por um banheiro público - e que passou despercebida pela maioria da população. Tem que deixar a máscara cair. Afinal, tá todo mundo ansioso para começar aquele tradicional corinho: "O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo! O povo não é bobo, abaixo...".
Mais uma fala memorável que poderia ter sido parte do post dedicado ao Humphrey Bogart. Só que a fala em questão lhe foi sussurrada pela Lauren Bacall em Aventura na Martinica, estréia no cinema da, então, jovem modelo:

"You know you don't have to act with me, Steve. You don't have to say anything and you don't have to do anything... not a thing. Oh, maybe just whistle. You know how to whistle, don't you, Steve? You just put your lips together and... blow."

Wow! Não é à toa que os dois juntaram os trapinhos logo após as filmagens.

segunda-feira, outubro 14

Bandleader-composer Ray Conniff dies at 85


Não, ao contrário do que vocês estão pensando eu não sou fã do easy listening consagrado por Ray Conniff e sua orquestra. Coloquei esse link por outro motivo. Mas antes de fazer o devido esclarecimento, permitam-me uma pequena digressão: aquele cabelo chanel usado pelo bom velhinho (não confundir com o Papai Noel) sempre me deixou com a pulga atrás da orelha. Não seria uma tremenda duma peruca? Bom, acho que agora jamais saberei a resposta. Isto posto, vamos ao que interessa: É inevitável, a mais simples menção ao Ray Conniff faz com que eu me lembre da época em que usava calças curtas e passava as férias na casa do meu avô. Qualquer festividade reunindo a família e os amigos servia como desculpa para ele colocar na vitrola os bolachões do famoso maestro americano. Carregarei sempre a recordação daqueles inúmeras ocasiões em que, esparramado no tapete da sala a brincar com bonequinhos Playmobil, eu ouvia as indefectíveis versões de 'Besame mucho' e 'New York, New York' ecoando pela casa. Bons tempos que não voltam mais...

domingo, outubro 13

Oh, God... Toda vez que visito a página da Shoeshine, gravadora do Francis McDonald, é a mesma história: fico doente para escutar os sons que ele está lançando, só que não tenho grana para comprar (ainda mais na fase atual do dólar). O cara é absurdamente prolífico, tá sempre envolvido com alguma banda ou projeto novo, seja com BMX Bandits, Pastels, Teenage Fanclub (toca bateria e é co-autor de 'Planets'), Radio Sweethearts, Frank Blake, Speedboat, Astro Chimp, Nice Man, etc.
Mas então, tava fuçando o site quando me deparei com informações sobre o novo disco de uma de suas descobertas, uma cantora chamada
Laura Cantrell. A moça faz parte desse movimento de ressurgimento da música country, o tão falado alt-country, e percorreu um caminho no mínimo curioso: nascida em Nashville, iniciou-se como artista em Nova York, onde apresenta um programa de rádio dedicado ao estilo, mas acabou contratada por uma gravadora independente da Escócia. Seu disco de estréia, "Not the Tremblin' Kind", foi aclamado como "my favourite record of the last 10 years and possibly my life" pelo veteraníssimo dj inglês John Peel. Após baixar um punhado de mp3 no site oficial e na Amazon, também posso dar meu testemunho (embora pouco valha): adorei, ela é muito talentosa. As canções tem uma certa melancolia, como manda a tradição do gênero, mas não chegam a despertar aquela vontade louca de cortar os pulsos (alguém pensou em Cowboy Junkies?). Façam um favor a vocês mesmos e baixem 'When the roses bloom again' (tem um belo arranjo para bandolim), 'Conqueror's song' e 'Two seconds' na seção de downloads da Amazon. Impossível não se apaixonar pela doce voz de Laura Cantrell.

sábado, outubro 12

Surpresa agradável da semana: encontrar o primeiro disco do Inspiral Carpets, "Life", por míseros 9 reais. Tão cedo não me acontece outra sorte dessas.

sexta-feira, outubro 11

Fala a verdade, este blog anda um saco, né não? Não sei como vocês ainda conseguem acessar essa porcaria, nem eu aguento ler as coisas que escrevo.

quarta-feira, outubro 9

Os 5 melhores filmes de Alfred Hitchcok:
1. Janela indiscreta
2. Psicose
3. Um corpo que cai
4. Pacto sinistro
5. A dama oculta

As 5 melhores atuações de James Stewart:
1. Um corpo que cai
2. A felicidade não se compra
3. O homem que matou o facínora
4. A mulher faz o homem
5. O preço de um homem

Súbito desejo de colocar aqui a obra falada do Humphrey Bogart:

"I don't mind a reasonable amount of trouble."
"People lose teeth talking like that."
"We didn't exactly believe your story, Miss O'Shea, we believed your 200 dollars."
"When you're slapped, you'll take it and like it."
- Sam Spade (O Falcão Maltês)

"My, my, my! Such a lot of guns around town and so few brains."
"Then she tried to sit on my lap while I was standing up."
- Philip Marlowe (À Beira do Abismo)

"Women should come capsule-sized, about four inches tall. That way a guy could put her in his pocket and always know where she was."
- Rip Murdoch (Confissão)

"That slap in the face you took... Well, you hardly blinked an eye. It takes a lot of practice to be able to do that."
- Harry Morgan (Aventura na Martinica)

"When your head says one thing and your whole life says another, your head always loses."
- Frank McCloud (Paixões em Fúria)

"I was born when you kissed me. I died when you left. I lived a few weeks while you loved me."
- Dixon Steele (No Silêncio da Noite)

"Well, I'll say one thing for prison. It's a better class of people."
- Joseph (Não Somos Anjos)

"Paris is for lovers. Maybe that's why I stayed only 35 minutes."
- Linus Larrabee (Sabrina)

"A script has to make sense, and life doesn’t."
- Harry Dawes (A Condessa Descalça)

domingo, outubro 6

Então, no meio da semana resolvi dar uma garimpada nos sebos de cds. Não tem muita explicação, mas aquela rotina de pegar o ônibus (parênteses para revelar uma mania: eu sempre procuro ficar na fileira da direita e no corredor), descer na ensolarada e deserta General Osório e caminhar alguns quarteirões até o destino final, faz com que eu me sinta vivo e feliz. Acho que a expectativa criada pela possibilidade de encontrar um cd bom, bonito e barato libera uma dose extra de endorfina na minha corrente sangüínea. Ao menos serviu para me resgatar do subsolo escuro e lúgubre em que estava jogado, pena que o efeito teve curta duração.
Enquanto me dedicava a escarafunchar a letra D do balcão reservado aos cds de rock, entrou na loja um sujeito que se dizia interessado em realizar uma troca. Enquanto esclarecia algumas dúvidas com a funcionária, o cidadão ia retirando balas da sacola plástica que tinha em mãos. Era daquele tipo de pessoa que interrompe uma frase no meio, enche a boca, começa a mastigar e retoma o diálogo. Ou seja, o tipo de pessoa por quem tenho antipatia instantânea (sou neurastênico mesmo, e daí?!). Quando já me encontrava na letra H, percebi horrorizado que o boca nervosa se encaminhava na minha direção. Mesmo tendo a loja inteira à disposição, ele achou por bem grudar em mim como um gêmeo siamês. A partir daí foi impossível me concentrar na procura de algum tesouro musical perdido. Sua incômoda proximidade me obrigava a ouvir o incessante ruminar das enjoativas balas achocolatadas: crunch, crunch, crunch, nhac, nhac, nhac...
Pensei em escapulir para outro ponto da loja, mas aquele lugar era meu por direito, tinha chegado primeiro. Ele que se mancasse e desse o fora. A fim de deter minha crescente irritação, pus-me a mentalizar um mantra apropriado para o momento: “Não vou estrangular esse fulano. Não vou estrangular esse fulano. (crunch, crunch, nhac, nhac...) Não vou estrangular esse fulano. Não vou estrangular...”. De repente, numa prova de que a fé verdadeiramente remove montanhas, ele decidiu ir mastigar em outra freguesia. Enfim pude escolher os cds sossegadamente; acabei comprando ‘Harvest Moon’ do Neil Young, e ‘Pet Sounds Live’ do Brian Wilson.
Mas meu desafeto ainda aprontaria mais uma. Após mandar para o bucho a confeitaria que carregava na sacola, a formiga atômica não se deu por satisfeita e teve a coragem de atacar as balas que a loja deixa dentro de uma taça à disposição dos fregueses. Juro que quase caí pra trás.

terça-feira, outubro 1

Um bom tempo atrás o Mel Brooks dirigiu e estrelou um filme que foi enorme fracasso de crítica e bilheteria. O que apenas confirmou sua visível decadência, Jovem Frankenstein e Banzé no Oeste pertenciam a tempos distantes. Sua aposentadoria do cinema foi praticamente decretada. Não, nunca me dei ao trabalho de assistir o tal filme, fiz essa introdução toda só para poder citar seu título: Que droga de vida! De fato, é uma droga... e não creio que vá melhorar.

domingo, setembro 29

Mas nem tudo é má notícia nesta vida. O Botafogo, que parecia seguir lépido e fagueiro (adoro um clichê) para a Segundona, fez uma graça e ganhou de virada do Bahia em plena Salvador. Claro que foi sofrido, senão não seria jogo desse time excomungado; os dois gols foram marcados nos cinco minutos finais da partida. Assisti no Sportv e acompanhei a transmissão da CBN, cujos comentários estiveram a cargo do Arthur Dapieve (é bom escutar alguém que compartilha do seu sofrimento).

Nos intervalos de televisão está sendo exibido o trailer do que parece ser um remake de "O galante Mr. Deeds", clássico do Frank Capra. O papel que um dia foi defendido por Gary Cooper está nas mãos do intolerável Adam Sandler, cujo par romântico é interpretado pela outrora respeitada Winona Rider. A que ponto chegamos, esse mundo está mesmo perdido.
Os prognósticos anteriores foram confirmados, resfriado de novo. O bom senso mandava que neste momento eu estivesse deitado tentando dormir. Só que não sou dotado de tal virtude, o que explica minha presença aqui. Digito e espirro, digito mais um pouquinho e tusso; aos poucos a tela do monitor vai sendo coberta por perdigotos. Certamente não é uma cena bonita de se ver. Mas a situação não é tão ruim assim, ao menos não estou febril... ainda. Chato mesmo é ser vítima constante da patrulha dos saudáveis (é pior do que a ideológica), não podem ver alguém de aspecto doentio que vão logo acusando: "Tá mais branco do que macarrão da Santa Casa, hein!". Troço desagradável.

sexta-feira, setembro 27

Ando ligeiramente desconfiado de que ninguém mais lê este pobre blog, mas não os culpo, afinal masoquismo tem limites. Quando confiro as estatísticas do contador, tudo que vejo são dezenas de acessos feitos por almas solitárias à procura de fotos da Serena Williams (mexi em casa de marimbondo). Tô basicamente escrevendo pr'eu mesmo ler... o que não deve ser uma experiência tão inusitada assim, a julgar pela enorme quantidade de blogs existente. Diante desse grau de exclusividade eu poderia adotar um discurso mais egocêntrico, com tudo girando ao redor do meu umbigo mal lavado (li essa expressão outro dia, gostei). É, quem sabe...
Acho que existe uma tese sobre a vida nada mais ser do que uma inesgotável série de eventos repetidos. Se for esse o caso, então estou dando a minha humilde contribuição para seu fortalecimento. Essa sensação de que fiz um gargarejo com areia não deixa dúvidas, é prenúncio de mais uma gripe. Tô borrifando a garganta com spray de mel com própolis mas não acredito que vá adiantar muita coisa, até porque a data de validade dele tá vencida (espero que isso não mate, seria um final patético). É lamentável, mas a temperatura baixa dos últimos dias foi demais para o meu duvidoso sistema imunológico. Talvez eu não devesse ter andado debaixo de chuva aquele dia.

quarta-feira, setembro 25

Estou sem nenhum ânimo para escrever a sério, me limito a postar esses comentários bobos em cima de generalidades. Portanto, mesmo que ninguém tenha pedido, vou listar os livros que andei lendo ultimamente. Terminei "Febre de bola", do Nick Hornby, e "Sem plumas", do Woody Allen. O primeiro tem momentos divertidos, mas chega uma hora em que o tema futebol começa a cansar. O outro vale pelas duas peças teatrais do Woody, muito boas. Agora comecei a ler "O condenado" (Brighton Rock), do Graham Greene; é sobre uma gang de delinqüentes que aterroriza um balneário inglês. Fiquei interessado no livro porque os integrantes da tal gang (Dallow, Spicer, Pinkie e Cubitt) são os amigos citados pelo Morrissey na letra de 'Now my heart is full':

There's gonna be some trouble
A whole house will need re-building
And everyone I love in the house
Will recline on an analyst's couch quite soon
Your Father cracks a joke
And in the usual way
Empties the room


Tell all of my friends
(I don't have too many
Just some rain-coated lovers' puny brothers)
Dallow, Spicer, Pinkie, Cubitt
Rush to danger
Wind up nowhere
Patric Doonan - raised to wait
I'm tired again, I've tried again, and


Now my heart is full
Now my heart is full
And I just can't explain
So I won't even try to


Dallow, Spicer, Pinkie, Cubitt
Every jammy Stressford poet
Loafing oafs in all-night chemists
Loafing oafs in all-night chemists
Underact - express depression
Ah, but Bunnie I loved you
I was tired again
I've tried again, and


Now my heart is full
Now my heart is full
And I just can't explain
So I won't even try to

segunda-feira, setembro 23



Se até o Tutty Vasques aderiu...
Deve existir pouca coisa mais esquisita do que sonho recorrente, anteontem tive uma experiência do gênero. O sonho original é meio antigo, nele eu caminho pros lados do Leme e chego numa longa travessa cercada por prédios altos. Apesar do sol brilhante a atmosfera do local é bastante opressiva, não há viv'alma nas redondezas. Temeroso, eu completo o trajeto e entro num prédio velho e sujo para assistir uma aula não sei de quê. Só que fico o tempo todo olhando pela janela, ciente de que algo lá fora não me deixará realizar o caminho de volta. Acaba aí.
Agora o de anteontem: Estou conversando com uma conhecida e por algum motivo acredito que ela também esteve no tal prédio assistindo a aula. Quando penso em esclarecer a situação, começo a me questionar se aquela lembrança é real ou apenas um sonho. Não houve jeito, acordei assim que a metafísica entrou em campo.
Também costumo ter sonhos recorrentes quando doente, mas as situações são abstratas demais para serem descritas.

domingo, setembro 22

Pensei que seria uma boa idéia colocar aqui um ranking das mais belas personagens dos quadrinhos (típica idéia de nerd), só que não consigo lembrar de praticamente nenhuma. Foi-se o tempo em que eu tinha uma vasta coleção de HQ's para pesquisar (passei tudo nos cobres no fim da adolescência). Só restaram como lembrança os álbuns do Asterix e do Tintim, duas obsessões de infância. Sendo que o último eu ainda estou tentando completar; outro dia encontrei por 1 real uma edição que estava faltando. Mas o problema do Tintim é que ele é um célebre misógino, o dito sexo frágil não tem vez em suas aventuras, portanto não poderá me auxiliar na confecção da lista. Com certa dose de boa vontade eu poderia citar a esposa do Veteranix, coadjuvante de algumas histórias do Asterix. A Mary Jane, namorada do Peter Parker, também era bonita, mas eu nunca simpatizei com ela.
Admito, a minha memória está mesmo terrível. Mas apesar disso, acho que o título fica bem entregue nas delicadas mãos da lourinha Honey, beldade criada por Alex Raymond, que já nos tempos de Flash Gordon tinha dado forma a lindas heroínas. Após voltar da II Guerra, ele se superou ao lançar Nick Holmes (Rip Kirby), tirinha estrelada por um ex-oficial da Marinha que trabalha como detetive particular em Nova York.
Ao contrário dos tipos durões consagrados por Dashiell Hammett e Raymond Chandler, Nick é um intelectual de hábitos refinados, além de felizardo namorado da modelo Honey Dorian. A imagem acima é de sua memorável estréia nos quadrinhos (nunca mais se viu tanta pele à mostra). Coitada, se derretia toda pra cima do Nick e em troca era tratada com indiferença. Um desperdício imperdoável. Também, não dava para esperar outra atitude de um sujeito que usa robe de chambre.

quarta-feira, setembro 18

A indigência dos cadernos culturais ainda é capaz de me surpreender. Não basta mais serem pautados por Caetano, Gil, Marisa Monte, Zeca Baleiro (pode acreditar!), etc. Hoje, o Globo saiu-se com uma matéria sobre o iminente disco do Kid Abelha (corram para seus abrigos!). Como se isso não fosse má notícia suficiente, há um grande destaque para Paula Toller e sua nova faceta revelada através de letras engajadas. Me desculpem mas eu vou dar um exemplo: Vamos falar mais baixo/ Vamos falar pra escutar/ Uma barriga roncando/ Uma mamãe chorando.
Ai, meu saco...
Isso é que é ser imprudente. Li no jornal que o Lula se desloca pelo Brasil afora utilizando um jatinho da TAM. Fica a pergunta, de que adianta ser o candidato favorito a vencer as eleições se ele não vai estar vivo até lá?

segunda-feira, setembro 16

Minha intenção era apenas fazer um comentário despretensioso sobre a final do US Open. Acabei descobrindo que existe uma demanda fortíssima por fotos da Serena Williams vestindo o tal catsuit. E tudo visitante estrangeiro, pelo menos é o que diz o contador. Já que blog também é utilidade pública... So, if you're looking for a picture of Serena's new outfit, check this link out.
Já não tinha visto durante a semana e quase perco a reprise dominical do programa em que o Bill Clinton foi entrevistado pelo David Letterman. Foi por pouco, zapeei os canais no momento exato. Comentário que se impõe: O homem tem uma lábia impressionante, conseguiria vender um carregamento de guarda-chuvas para um beduíno no deserto do Saara; os Estados Unidos desceram a ladeira feio quando instalaram Bush, o obtuso, na cadeira de presidente.

sábado, setembro 14

The first of the gang to die em mp3. Canção inédita que o Morrissey tocou após ser entrevistado no talk show do Craig Kilborn. Eu gostei, soou melhor que boa parte dos últimos dois discos. Mas por enquanto nenhum sinal de álbum novo... sem gravadora fica meio difícil mesmo.

You have never been in love
until you’ve seen the stars
reflect in the reservoirs


And you have never been in love
until you’ve seen the dawn rise
behind the home for the blind


We are the pretty petty thieves
and you’re standing on our streets
where Hector was the
first of the gang with a gun in his hand
and the first to do time
the first of the gang to die
Oh my


Hector was the first of the gang
with a gun in his hand
and the first to do time
the first of the gang to die
Oh my


You have never been in love
until you’ve seen the sunlight thrown
over smashed human bone


We are the pretty petty thieves
and you’re standing on our streets
where Hector was the first of the gang
with a gun in his hand
and the first to do time
the first of the gang to die
Such a silly boy


Hector was the first of the gang
with a gun in his hand
and a bullet in his gullet
and the first lost lad
under the sod


And he stole from the rich and the poor
and the not very rich and the very poor
and he stole all hearts away
He stole all hearts away
He stole all hearts away
Away...

Bacana, nesse site é possível consultar quais músicos possuem a mesma data de aniversário que você. Ele também informa a música que estava no topo das paradas no dia do seu nascimento. Estão aí os meus decepcionantes resultados:

1943 Bobby Harrison
drums, Procol Harum
1948 John Martyn
singer / songwriter, guitarist
1965 Saul Davis
guitar, violin, James

The U.K. No.1 was... I'm Not In Love by 10cc
The U.S. No.1 was... Love Will Keep Us Together by Captain and Tennille

sexta-feira, setembro 13

Bom slogan para a conjuntura atual: Chega de intermediários! Fernandinho Beira-Mar para o Governo do Rio.

Até gostaria de ser um espectador fiel do horário eleitoral, só que lamentavelmente minha alma não está imbuída desse espírito de abnegação. O que não me impediu de testemunhar as aparições de Thelma Maria, candidata a deputada federal pelo Partido da Causa Operária. Chega a espantar a modéstia de suas promessas: salário minimo de 1.500 reais, vai acabar com o desemprego e, se bobearem, dá um pulo na terra do Tio Sam e passa um esculacho no Bush Jr. Mas isso é o de menos, o que realmente interessa é o visual um tanto lisérgico de seu filmete. Vamos à descrição: em primeiro plano surge nossa heroína, sempre trajada com uma blusa preta de gola alta; olhar fixo num ponto qualquer do horizonte, ela despeja sua cantilena sem movimentar um músculo da face; enquanto isso o fundo, através do efeito croma key, exibe borrões vermelhos em movimento. Apagados os caracteres e tendo 'White rabbit' como trilha sonora, poderia facilmente se passar por um clip do Jefferson Airplane.

Poxa, será que o Rubens Ewald Filho lê o meu blog? O programa dele no Telecine teve, no quadro dedicado aos coadjuvantes, uma matéria sobre a Thelma Ritter, tema de um post que escrevi há umas duas semanas.

quinta-feira, setembro 12



Comentário pra lá de atrasado, mas que se dane. Foi bem fraquinha a final do US Open entre as irmãs Williams, hein? Jogo em que as duas se enfrentam é garantia de erros em profusão. Se não me engano foi o terceiro título seguido de Grand Slam que elas disputaram (Serena venceu os três), e no que depender de força física será sempre assim. E eu achava ruim quando a Martina Hingis dominava o circuito feminino... era feliz e não sabia.
É baixaria fazer esse tipo de observação, mas não consigo evitar. Ver a Serena Williams exibindo tanta fartura a bordo do infame catsuit me lembra uma passagem do Cândido de Voltaire na qual ela enfrentaria um mau pedaço. No tal trecho, a velha narra o episódio em que se encontrava sitiada num forte ao lado de famintos soldados turcos. Quem já leu vai entender.

Tava vendo uma entrevista do John McEnroe no programa do David Letterman e reparei num troço, o ex-tenista é a cara do Raymond McGinley do Teenage Fanclub (acho que o inverso seria mais correto).

quarta-feira, setembro 11

Chegou o tal do 11 de setembro. A televisão já passou os últimos dias enchendo o saco com esse assunto, hoje deve ocorrer o ápice da pieguice. Provável que o Bush aproveite a data para iniciar alguma guerra e implodir logo essa droga de mundo (ninguém vai sentir falta mesmo). Portanto, see you at the barricades, babe.
Até que eu gostaria de ter algo interessante para colocar aqui, mas ando sem a menor inspiração. Escrever esses resmungos sobre a gripe já foi um feito incrível, dado o meu raciocínio embotado - acho que a febre estorricou os neurônios que restavam. Já são duas horas da madrugada e só não estou dormindo porque dei uma cochilada no início da noite, agora vai ser duro pegar no sono de novo. O jeito é navegar pelos blogs da vida, comer pão com muzzarela e azeitona picada e beber guaraná. É, eu só como besteira (pena que não tinha pizza gelada). Provavelmente sou magro de ruim, como diriam os antigos.
É sinal de que a velhice me alcançou. Nos bons tempos o máximo que acontecia era eu ter um resfriadinho mixuruca, ficava bom rapidamente. Febre, então, era um troço raríssimo de aparecer. Após quase duas semanas eu ainda estou me sentindo um morto-vivo. E essa frente fria? Eu detesto calor, mas ela tinha que aparecer justamente quando eu estava me livrando da gripe? Fica sempre uma ameaça de recaída.

quarta-feira, setembro 4

Não é possível, já é a terceira gripe do ano, eu devo estar anêmico. Difícil escolher o que é pior: dor de garganta, tosse, febre, nariz congestionado, face dolorida... Mas o que mais assusta é você estar debaixo de três cobertas e mesmo assim tremer de frio, só melhorei após suar mais que executivo andando no Centro do Rio em pleno verão. Ô vida...

domingo, setembro 1

Da NME:

FAN-TASTIC
TEENAGE FANCLUB are to release a career-spanning best of later this year containing three brand new tracks. '4,766 Seconds - A Short Cut To Teenage Fanclub' is scheduled for release on November 4. The 21-track compilation contains highlights from the band's six studio albums, including 1990 debut single 'Everything Flows' and the band's biggest chart hit, 1997's 'Ain't That Enough'. The three new tracks are titled 'The World'll Be OK', 'Empty Space' and 'Did I Say'. The full tracklisting is:


'The Concept'
'Ain't That Enough'
'The World'll Be OK'
'Everything Flows'
'Star Sign'
'Mellow Doubt'
'I Need Direction'
'About You'
'What You Do To Me'
'Empty Space'
'Sparky's Dream'
'I Don't Want Control Of You'
'Hang On'
'Did I Say'
'Don't Look Back'
'Your Love Is The Place Where I Come From'
'Neil Jung'
'Radio'
'Dumb Dumb Dumb'
'Planets'
'My Uptight Life'


Maravilha, mas cabe uma pergunta: cadê 'Alcoholiday'?!
Pelo menos serviu para tirar o mofo do noticiário eleitoral essa polêmica proibição da Marinara (meu Deus, como classificar a Marinara? Diz o Globo que ela é "policial e modelo"... então tá!) aparecer no horário gratuito vestindo apenas lingerie. O azar dela foi o bispo que manda no partido não concordar com a tática de angariar votos dos eleitores mais libidinosos. Obviamente o meu primeiro impulso é tascar aquela frase lapidar: "Só no Brasil é que acontece uma coisa dessas". Mas aí a gente logo se lembra que uma atriz pornô como a Cicciolina conseguiu ser eleita deputada na Itália. Cenas memoráveis de sua campanha eram exibidas nos telejornais e sempre tinham o mesmo roteiro: Cicciolina caminhando seminua no meio da malta e sendo bolinada pelos eleitores em potencial. Neguinho também reclama de um cartola picareta (que pleonasmo) como o Eurico Miranda ser eleito deputado, mas se esquece que o Silvio Berlusconi foi alçado ao posto de Primeiro Ministro pelos italianos. O mais incrível é que, apesar disso tudo, a Itália ainda é considerada um país sério.

sábado, agosto 31

É sempre bom fazer uma lista, essa aí é a dos cds usados que eu já comprei em sebos ou na Internet. Até que não posso reclamar da sorte, arrumei muito disco bom nesse tempo todo.

Beach Boys - Pet sounds
Belle & Sebastian - I'm waking up to us
Beatles - Help
Clash - From here to eternity
Coldplay - Parachutes
Cowboy Junkies - The caution horses
Cowboy Junkies - Lay it down
Donovan - The very best of
Echo & the Bunnymen - Echo & the Bunnymen
Elastica - Elastica
Electrafixion - Burned
Eugenius - Mary Queen of Scots
Gorky's Zygotic Mynci - How I long to feel that summer in my heart
Iggy Pop - Nude & rude
Inspiral Carpets - Devil hopping
Jesus & Mary Chain - Darklands
Morrissey - We hate it when our friends become successful
Morrissey - Suedehead, the best of
Pavement - Crooked rain, crooked rain
Pixies - Come on pilgrim
Placebo - Placebo
Placebo - Without you I'm nothing
Ramones - Road to ruin
Ramones - Pleasant dreams
R.E.M. - Out of time
R.E.M. - Monster
Stone Roses - Stone Roses
Stone Roses - Second coming
Sundays - Blind
Superdrag - Regretfully yours
Superdrag - Head trip in every key
Wedding Present - Peel sessions
Weezer - Weezer
Outro dia cruzei com o Mickey e a Minie na rua, provavelmente erraram o caminho para a Disneylândia. O famoso camundongo estava trajando casaca preta e calça vermelha, enquanto sua eterna namorada exibia um vestido florido. Tentavam atrair a atenção dos passantes para a promoção realizada por uma loja de móveis, estratégia que me pareceu meio esquisita. Tudo bem se fosse uma loja de brinquedos ou confeitos, mas personagens infantis anunciando mobília?! A não ser que os proprietários esperassem que a petizada torrasse a mesada na compra de uma cômoda em estilo colonial. Três horas depois passei novamente no local, um calor desgraçado e os coitados ainda estavam lá. Espero que o tio Walt pague adicional por insalubridade.
Filmes bacanas programados para o mês de setembro nos canais Telecine. Em 'A embriaguez do sucesso', Burt Lancaster é um arrogante colunista social com o poder de destruir carreiras. Também vale ver 'Capitão de Castela', capa e espada dirigido pelo Henry King e estrelado pelo Tyrone Power; no papel da mocinha a sempre carrancuda Jean Peters. 'Chinatown', homenagem do Polanski ao 'film noir'. Ainda tem um ciclo de filmes com o Henry Fonda, sendo três dirigidos pelo John Ford. Vou aproveitar pra conferir as estréias de 'Amnésia' e 'Billy Elliot', filmes que eu tive preguiça de ver no cinema.
Será que existe mais alguém no mundo que goste de Inspiral Carpets, ou eu estou sozinho? Acho que nunca os vi sendo citados em outro blog. De toda aquela cena de Manchester provavelmente é a banda que tem menos cartaz, sendo mais lembrada por ter tido como roadie o Noel Gallagher do Oasis. Merecia sorte melhor. Outro dia tava escutando 'Just Wednesday' no walkman, boa música e com um belo refrão.

Maybe it was my fault all along
'Cause I'm constantly talking in pictures and song
For anyone else this would be
The best days of his lifetime, but not for me
It's just Wednesday
Or some other day
Forgive my way

No meio da semana fiz uma visita de cortesia aos sebos de cds. As tratativas anteriores foram verdadeiros tiros n'água, mas dessa vez até que encontrei coisa boa nas prateleiras. Saí carregando o primeiro do Elastica, uma coletânea do Morrissey (só pelos b-sides, já tinha o resto das músicas) e o primeiro do Coldplay. Enrolei um tempão pra comprar o 'Parachutes', não tava a fim de empenhar muito dinheiro nele. Finalmente encontrei por um preço razoável, 15 reais. Tá certo que 'Yellow' e 'Trouble' são os hits, mas eu sempre gostei mais de 'Don't panic'. Imagino que a minha opinião seja igual a de quase todo mundo, bandas como Coldplay e Travis são legais mas não sei se merecem essa fama toda. Soam como se o Radiohead ainda estivesse por aí compondo músicas no estilo de 'Fake plastic trees' e 'High and dry'.
O blog imita a vida, vai se arrastando como um dinossauro ferido (já li isso em algum lugar). Acho que foi por volta de abril que surgiu tanto desânimo, motivado por algum acontecimento que não consigo identificar. Mesmo assim vou insistir mais um pouco.

domingo, agosto 25

Não estou com paciência para introduções explicativas, melhor ir direto ao tema do post. Se eu tivesse que listar as atrizes que mais gosto de ver em filmes a Thelma Ritter entraria fácil fácil. Integrante daquela velha escola de atores característicos, acabou se especializando em papéis de serviçal. Apesar do status de coadjuvante, destacava-se graças ao estilo extremamente irônico que imprimia em cena. Seus personagens sempre têm uma tirada mordaz na ponta da língua. Estreou no cinema fazendo uma ponta em 'De ilusão também se vive' como uma mãe insatisfeita com o Papai Noel da Macy's. Camareira de Bette Davis em 'A malvada', foi a única a desconfiar das verdadeiras intenções de Eve. Em 'O quarto mandamento' é confundida com uma empregada pela nora e decide levar o equívoco adiante. Em 'The model and the marriage broker' (esqueci o título nacional), é a solitária proprietária de uma agência matrimonial. Enfermeira, cuidou do engessado James Stewart e espiou o vizinho suspeito em 'Janela indiscreta'. Em 'Confidências à meia noite' interpretou a empregada de Doris Day com um fraco pela bebida. Em 'Boeing Boeing' foi a criada levada à loucura pela poligamia do patrão Tony Curtis.
Algumas frases marcantes de seus personagens:
"Intelligence. Nothing has caused the human race so much trouble as intelligence."
"The New York State sentence for a Peeping Tom is six months in the workhouse. And they got no windows in the workhouse."
"If there's anything worse than a woman living alone, it's a woman saying she likes it."

Um dia ainda vou descobrir as insondáveis razões que me levam a manter um blog; somado à duração do anterior, já é quase um ano despejando baboseira pra cima dos mais incautos. Se eu afirmasse que é por gostar ou ter talento para escrever estaria mentindo, nunca tive esse pendor. Na escola enforcava a aula de redação na maior desfaçatez. O tema tanto podia ser "Minhas férias" como algo mais sofisticado, era insuportável ter que abandonar o casco e, num pedaço de papel, externar meus pensamentos a uma estranha (no caso, a professora). Muita água correu debaixo da ponte e só passei a escrever regularmente após me meter a ser blogueiro (que termo idiota, mas como não achei coisa melhor), o que é uma boa desculpa para tanta inabilidade no manejo das palavras. Não descobri nenhuma vocação tardia, claro está.
Quem sabe a existência do blog se justifique por eu estar, inconscientemente, buscando a fama entre meus pares. Se for isso, então estou fazendo tudo errado: não entupi isto aqui com links para blogs populares; não abri minha vida particular à visitação pública; não troquei a frieza costumeira por um tom mais amigável; sabotei o diário original e o substituí por um bem menos visitado. Nada que possa angariar simpatia, mas coerente com as minhas idiossincrasias.
É, ambas as teorias podem ser descartadas. Vou pensar numa razão plausível, depois eu conto.

PS: Pensei um pouco no motivo. Acho que uso este espaço como válvula de escape para as minhas neuroses, só pode ser isso.

quarta-feira, agosto 21

É tudo uma questão de estar no lugar errado na hora errada. Como a sorte vem me faltando, acabo por testemunhar cenas idiotas em número maior do que o recomendável. Finzinho de tarde, sol se escondendo. Entediado, arrisquei uma ida até a varanda, só pra espiar o movimento lá fora. Meu interesse é capturado pela hesitação de quatro pessoas na hora de atravessar a rua. Gente esquisita, parece estar no mundo da lua. Eis que o líder da manada, identificado por ser o mais velho e gordo, refuga repentinamente e põe-se a contemplar os restos de um despacho na sarjeta (o day after da segunda-feira é terrível). Logo ganha a companhia do restante do grupo que forma um círculo ao redor da oferenda, transformada em objeto de acalorado debate. Um bando de gringos, tá explicado. Finalmente se cansam da novidade e retomam seu caminho, mesmo assim o deslumbrado guia da expedição a este lugarejo exótico ainda encontra ânimo para apontar outro trabalho na esquina oposta. Nunca a expressão 'macumba para turista' fez tanto sentido.

segunda-feira, agosto 19

Que tremenda má vontade...

Singela explicação para a recente escassez de posts: sinto-me mais confortável escrevendo quando já é noite alta, só que nos últimos dias passei a dormir num horário mais, digamos, ortodoxo. Como hoje calhou d'eu estar insone, bora digitar umas besteiras.

Que clima mais esquisito anda fazendo. O inverno está com cara de verão e folhas de árvores forram a rua. Sou do tempo em que elas só caíam durante o outono, seguindo rigorosamente as instruções da folhinha.

Tava demorando. A Globo começou a utilizar seus telejornais para propagandear o rodeio, essa idiotice importada dos EUA, como o melhor entretenimento existente na face da Terra. Nada de novo, apenas mais uma forma de impor os usos e costumes do interior paulista ao resto do país.

E o comentarista do Sportv após a semifinal entre Itália e Rússia na Liga Mundial de Vôlei? Só faltou soltar foguetes para celebrar a vitória dos russos, que, segundo sua estapafúrdia teoria, já estavam satisfeitos com a chegada à final e não iriam ameaçar o título do Brasil. Esses patetas metidos a pitonisa é que me matam.

Sou bom pra rogar praga e não sabia. Para minha imensa felicidade o maligno boteco dos pagodeiros fechou as portas. O mesmo ocorreu com a loja que vendia equipamentos de som pra carro e os testava tocando funk no último volume. Foi substituída por uma de produtos naturais. Ou seja, isso aqui tá quase virando um lugar zen. Pude até ouvir na sequência os últimos três discos do Gorky's Zygotic Mynci sem ser incomodado por ruídos externos. Agora o meu medo é que voltem a circular o carro da pamonha, o carro do camarão e, graças ao verão antecipado, o pior de todos, o carro do sorvete no copão. Tenho arrepios só de pensar em escutar novamente aquela ladainha infernal: Atenção freguesa, o carro do sorvete está na sua rua. Deliciosos sabores: coco, baunilha, morango e chocolate com leite maltado. Sorvete no copão, custa só um real. O patrão ficou maluco, mandou vender tudo barato hoje, freguesa.

terça-feira, agosto 13

Acordado em plena madrugada, mais parecendo um zumbi. Blogger aberto e, como sempre, nada de relevante para escrever. Na falta de assunto melhor... há pouco tava vendo alguns sites sobre o J.D. Salinger quando me deparei com a informação de que ele tem um filho, chamado Matt, que é ator. Na mesma hora pensei, "Será que é aquele Matt Salinger que estrelou 'Capitão América', adaptação muito tosca do herói dos quadrinhos?". Suspeita confirmada após pesquisa no IMDB. E vejam só, 'A vingança dos nerds' é o outro título mais conhecido de sua curta filmografia. Parece que ser filho de um mito não foi de muita valia para sua carreira, pelo contrário.

Dei uma chegada na varanda agora mesmo e fui expulso pela ventania, deve estar pintando uma frente fria por aí. Panorama desolador, não tem uma alma na rua. Deixadas por macumbeiros e reviradas por mendigos, algumas tigelas de farofa repousam no asfalto da esquina ao lado de velas e pétalas de rosa. Também se encontra lá uma baita ratazana à procura de alimento. Ao ouvir o ruído de um carro se aproximando, atravessa a rua em disparada carregando um naco de comida entre os dentes. Não sei o porquê, mas achei essa cena engraçada.
Bom, chega de comentários insólitos por hoje. Melhor ir dormir.

domingo, agosto 11

Acho que tenho motivos para começar a ficar preocupado, já são dois sábados consecutivos a exibir o mesmo roteiro. Mal a noite cai, num pé sujo aqui perto aparece uma cambada de pagodeiros desgraçados. Não fui conferir de perto mas o esquema deles deve ser aquele tradicional: interpretam algumas jóias do nosso cancioneiro popular e depois passam o chapéu entre a distinta audiência. Impossível descrever a raiva que sinto ao ser obrigado a aumentar o volume da televisão, encoberta pelos "Lááá lá laiá laiá laiá Lááá lá laiá laiá..." provenientes do boteco. Neguinho não tá nem aí, manda brasa no pandeiro, no cavaquinho e nessas outras porras que eles tocam e eu não sei o nome. Oh, fuck! Aliás, por que cariocas em geral são tão receptivos a essa espécie de péla-saco? Só pode ser pra fazer jus à fama de povo festeiro. Mas aposto que se eu tentasse ensaiar com uma banda de rock no meio da rua logo ia aparecer alguém protestando. Claro que essa dúvida jamais será dirimida, afinal eu não sei nem batucar uma caixinha de fósforo, quanto mais tocar guitarra. Só digo uma coisa, com essa tortura virando hábito vou passar a considerar mais seriamente a hipótese do suicídio.

Na minha última aquisição, 'Blind', do The Sundays - o som é estilo Cocteau Twins e Mazzy Star, delicada voz feminina em meio a guitarras etéreas; legal, embora não seja pra toda hora - tem uma música cujo verso combina bem com meu atual estado de espírito: Oh well/ Give me an easy life/ And a peaceful death.

sexta-feira, agosto 9

Ok, as 10 melhores músicas do Teenage Fanclub em versão atualizada. Por ordem de preferência:

1. The Concept
2. Everything Flows (acoustic)
3. Alcoholiday
4. Your Love Is The Place Where I Come From
5. Neil Jung
6. Mellow Doubt
7. Sidewinder
8. Broken
9. My Uptight Life
10. Star Sign
Nota publicada no Globo:
Luciana Gimenez estrelará mais uma etapa da campanha de títulos de capitalização da Caixa. A moça foi escolhida a garota-propaganda da loteria depois de uma pesquisa que revelou que ela é considerada uma das mulheres mais sortudas do país.

É, faz sentido... mas não sei se "sortuda" é o adjetivo mais correto.
Como o tempo passa rápido, outro dia mesmo este blog completou um mês de inútil existência e eu nem percebi. Numa comparação com meu paradeiro anterior arriscaria dizer que enveredei por um caminho diferente, o que não chega a ser exatamente uma virtude. Enquanto no blog antigo eu oscilava entre o sarcasmo e o miserabilismo, aqui ando patinando em posts sentimentalóides. Péssimo, péssimo...

quarta-feira, agosto 7

Finalmente me senti apto a criar uma lista com as vinte melhores músicas (só dez não tem condição) dos Beatles. Ainda que na minha coleção faltem o ‘Beatles For Sale’ e o ‘Let It Be’, acredito não ter perdido nada de fundamental. Sem ordem de preferência porque aí já seria pedir demais. Mesmo assim dá pra notar que eu tenho o ‘Revolver’ em alta cotação.

1. Help!
2. You’ve Got To Hide Your Love Away
3. Ticket To Ride
4. Norwegian Wood
5. In My Life
6. Taxman
7. Eleanor Rigby
8. I’m Only Sleeping
9. Here, There And Everywhere
10. For No One
11. Got To Get You Into My Life
12. She’s Leaving Home
13. Strawberry Fields Forever
14. While My Guitar Gently Weeps
15. Blackbird
16. Sexy Sadie
17. Get Back
18. Come Together
19. Oh! Darling
20. The End

segunda-feira, agosto 5

Ufa! Até que enfim os canais de TV deram uma melhorada na programação. Hoje às 22:15 o Multishow exibe uma apresentação ao vivo dos Smiths datada de 1983. Também hoje, o Telecine Happy inicia seu ciclo dedicado aos filmes do Jerry Lewis. Nostalgia pura, bom pr'eu lembrar dos tempos em que matava aula pra poder assistir o Festival Jerry Lewis na Sessão da Tarde. E o melhor de tudo, fim do mês tem a estréia no Telecine Classic de Crepúsculo dos Deuses, obra-prima do Billy Wilder. Depois de tanto tempo aguentando a versão dublada nas madrugadas da Globo, finalmente irei ouvir algumas das célebres frases de Norma Desmond em som original:
"I am big. It's the pictures that got small."
"All right, Mr. DeMille. I'm ready for my close-up."

domingo, agosto 4



Já faz uns 4 meses que não assisto Casablanca, tô começando a sentir os efeitos da abstinência. É nisso que dá entregar a um simples (!) filme o poder de alterar seu estado de ânimo, você acaba se tornando escravo dele pro resto da vida. Qualquer maré baixa que surge, toca a buscar refúgio em Casablanca. By the way, tenho uma reprodução do poster aí de cima na parede do quarto. Tentei me distrair com outras coisas, estratégia fracassada. Na televisão não parece existir um programa que deixe de citar, parodiar ou exibir algum momento marcante do filme. Fui ler o Verissimo que comprei na Feira do Livro, mas não teve jeito. Sempre surge uma crônica em que ele trava diálogos imaginários com o Bogart. Assim não há tatu que resista, vou acabar assistindo a fita pela enésima vez. O pior é que nunca me canso do filme. A começar pela abertura, um mapa mundi sendo exibido enquanto o narrador nos situa historicamente:

With the coming of the Second World War, many eyes in imprisoned Europe turned hopefully, or desperately, toward the freedom of the Americas. Lisbon became the great embarkation point. But not everybody could get to Lisbon directly; and so, a tortuous, round-about refugee trail sprang up. Paris to Marseilles, across the Mediterranean to Oran, then by train, or auto, or foot, across the rim of Africa to Casablanca in French Morocco. Here, the fortunate ones through money, or influence, or luck, might obtain exit visas and scurry to Lisbon, and from Lisbon to the New World. But the others wait in Casablanca, and wait, and wait, and wait.

Daí em diante é só esperar ansioso pelas cenas favoritas. Como quando Ilsa faz um pedido ao velho Sam, após reencontrá-lo:
- Play it once, Sam, for old time's sake.
- I don't know what you mean, Miss Ilsa.
- Play it, Sam. Play 'As time goes by'.
- I can't remember it, Miss Ilsa. I'm a little rusty on it.
- I'll hum it for you. Sing it, Sam.
- You must remember this,
A kiss is just a kiss,
A sigh is just a sigh...

Ao ouvir a música, Rick irrompe furioso pelo salão e dispara:
- Sam, I thought I told you never to play...

Pulando para uma cena posterior: Rick, enquanto afoga as mágoas numa garrafa, desabafa com Sam:
- Of all the gin joints in all the towns in all the world, she walks into mine! What's that you're playing?
- Just a little something of my own.
- Well, stop it. You know what I want to hear.
- No, I don't.
- You played it for her and you can play it for me.


Outro momento memorável, Rick permite ao rapaz búlgaro ganhar na roleta o suficiente para conseguir fugir de Casablanca, evitando por tabela que sua jovem esposa se renda ao assédio do capitão Renault. Quando todos os funcionários do café se apressam a felicitá-lo pela bondade, ele os rechaça a fim de manter a pose de durão cínico. Também é impossível não se arrepiar na parte em que Victor Lazslo, indignado ao ver oficiais alemães entoando uma marcha patriótica, faz com que o restante dos presentes no café cante A Marselhesa em coro.
Tem mais uma batelada de cenas inesquecíveis, mas acho que este post já está ficando longo demais. Se deixarem eu me empolgo e reproduzo aqui todos os diálogos do filme. Ahhh, os diálogos de Casablanca... infelizmente ninguém nem se aproximou da magia daquelas palavras.

sexta-feira, agosto 2

Estou com uma dúvida que anda me tirando o sono, talvez alguém aí possa me socorrer. Digamos que ocorra uma hecatombe e o Garotinho ganhe a eleição pra presidente. Eu sei, Deus nos livre, mas é apenas uma suposição. Após cumprir as formalidades de praxe e instalar a família no Palácio da Alvorada, o abominável homem de Campos partiria serelepe para sua primeira missão oficial no exterior. Naturalmente o destino seria os EUA, a fim de tomar a benção do Bush e presenteá-lo com uma cesta contendo muito chuvisco e goiabada cascão. Mas como será que a imprensa americana trataria nosso estimado presidente? Mr. Garotinho ou Mr. Little Boy? E nossa distinta primeira-dama? Ms. Rosinha ou Ms. Little Rose? Pior, e se algum sacripanta resolver chamá-la pelo nome completo, como é que faz? Ms. Little Rose Little Boy? Tá certo isso? Que complicação, o melhor é torcer pro hómi não ser eleito.

quinta-feira, agosto 1

Com essa disparada do dólar fiquei bastante curioso a respeito dos preços que a Modern Sound andaria cobrando agora pelos cds importados. Passei lá (há tempos eu não cruzava a entrada) e confirmei uma antiga suspeita sobre a margem de lucro estratosférica utilizada por eles. Mesmo com o dólar valendo quase R$ 3,50 a tabela de preços continua igual a de quando ele estava cotado a R$ 2,30. Foram forçados a cortar a gordura ou então não vender nada. É por essas e outras que eu só frequento a loja de usados.

Dica para quem gosta dos Cowboy Junkies: tem um sujeito vendendo por R$18,00 o Lay It Down (importado) no Arremate. Discaço, vale muito a pena. E nesses tempos bicudos tá praticamente de graça.

quarta-feira, julho 31



Avaliando os cds que andei comprando ultimamente (na loja de usados, claro), vejo que os dois primeiros discos do Superdrag foram os que mais caíram no meu gosto. Uma compra arriscada que se revelou um negócio da China, já que eu conhecia apenas uma música do grupo. Superdrag é um quarteto de Knoxville, Tennessee, que se encaixa no estilo de bandas como Husker Du, Replacements e Pixies, combinando a estridência punk com melodias em profusão. Ou seja, é praticamente aquilo que eu mais gosto de ouvir: power pop. Não surpreende, portanto, que uma de suas influências admitidas seja o Big Star, lendária banda, também do Tennessee, liderada por Alex Chilton (com quem o vocalista John Davis é constantemente comparado pelo estilo visceral). Também entram nesse melting pot: Beatles, My Bloody Valentine, Dinosaur Jr, Teenage Fanclub, Weezer...
Lançado em 1996, Regretfully Yours é a espetacular estréia do grupo numa grande gravadora e contém seu único hit, Sucked Out, cuja letra, aliás, revelou-se quase profética:

Look around, could it bring somebody down
If I never made a sound again?
In your eyes you've already spread my thighs
And you're rocking to the next big thing
Kissing the bride, 45 minutes a side
This was my dream - played out rocking routine
Who sucked out the feeling?
Where'd you go now that everybody knows
And we did a couple shows out there?
Look at me, I can write a melody
But I can't expect a soul to care
Kissing the bride, 45 minutes a side
This was my dream - played out rocking routine
Who sucked out the feeling?


Admito que ao escutá-lo pela primeira vez fiquei meio cabreiro com tanta música ganchuda, mas acabei desencanando. É um daqueles discos em que você não precisa ficar pulando faixa. Quem gosta de um som calcado em guitarras não pode reclamar, há um festival de riffs complementado pela mão pesada do ótimo baterista. Alguns destaques: Phaser, Cynicality, Destination Ursa Major, What If You Don’t Fly, Garmonbozia, N.A. Kicker e Nothing Good Is Real.
Lançado em 1998, Head Trip In Every Key não fugiu à maldição que sempre ronda o segundo disco. Evitando repetir a fórmula usada em Regretfully Yours, o grupo adotou um estilo mais sombrio nas composições. Resultado: fracasso comercial (o primeiro vendeu de forma razoável), apesar das críticas positivas, e conseqüente chute da gravadora. Mas a antiga exuberância pop ainda pode ser encontrada em músicas como Hellbent, Sold You An Alibi e Do The Vampire. Outros destaques: I’m Expanding My Mind (parece saída do Howdy! do Teenage Fanclub), Amphetamine, She Is A Holy Grail e The Art Of Dying.
De lá pra cá o Superdrag lançou mais dois discos de forma independente, In The Valley Of Dying Stars e Last Call For Vitriol, os quais infelizmente ainda não escutei. Mas tomara que alguém resolva desová-los lá na loja de usados.

segunda-feira, julho 29

Tinha jurado pra mim mesmo que não iria tecer comentários sobre reality shows neste blog novo, mas diante da lavagem de roupa suja ocorrida ontem entre os integrantes do Big Brother, sou forçado a voltar atrás. Confesso que alimentava uma certa esperança de que a maluquete da Tina rasgasse o verbo pra cima daquela ratatuia que empesteou o programa. Não me decepcionei. Foi ótimo ver a Lolita biscateira e o gaúcho fresco sendo expostos em toda a sua escrotidão. Outro momento que valeu a pena assistir: Thyrso descascando o site Paparazzo em plena Rede Globo (o Bial nem piscava de tanto susto). Só é lamentável que mais um boçal tenha vencido o programa (vem transmissão de rodeio por aí, se preparem), o tal do peão revelou sua face verdadeira ao ficar favorável à panela do mal nos votos de ontem.
Último detalhe: ficaria bastante agradecido se aquela cartomante nunca mais mostrasse a cara na televisão. Ô, mulherzinha chata! Não é à toa que foi eliminada logo de cara. Ninguém nem lembrava de sua efêmera e opaca participação, mesmo assim ela imbuiu-se de autoridade moral para dar sermões a todo instante. Despejou um monte de chavões idiotas sobre relacionamento humano, certamente retirados de livros de auto-ajuda. E o pior de tudo, repetia aquela pataquada de que os participantes deveriam tomar como exemplo o nome do programa, convivendo em harmonia como irmãos. Pelamordedeus! Custava a Globo distribuir exemplares do livro do Orwell para essas cavalgaduras lerem (se é que sabem)? Se eu escutar essa sandice mais uma vez sou capaz de me atirar janela abaixo.

domingo, julho 28

Mudei de provedor por isso fiquei alguns dias sem poder entrar na Internet e, por consequência, impedido de escrever no blog (como se o abandono não fosse ocorrer do mesmo jeito se eu tivesse acesso). Oh, c'mon! É uma boa desculpa, ao menos finjam que acreditam.
Dada a minha total falta de assunto, vai aí um adendo ao post anterior sobre as eleições de 89. Eu realmente sinto falta é do maniqueísmo daquela campanha, era tão cômodo escolher o candidato tendo os papéis de mocinho e vilão já estabelecidos. Enquanto o Lula posava de Luke Skywalker, defensor dos fracos e oprimidos, o Collor era uma espécie de Darth Vader a liderar as forças da escuridão (que analogia podre). Só que, contrariando os clichês, o mal venceu a batalha (vai entender a cabeça desse povo). Fade out. Dias atuais: os discursos dos principais concorrentes ao Planalto habitam a mesma área cinzenta e ninguém pode se gabar de não andar na companhia de gente de caráter duvidoso. Assim vou acabar jogando a moedinha pro alto...